quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Do labirinto.

Contruí uma quinta lá na Babilônia.
Lá o céu é limpo e eu admiro todas as constelações. Todo dia acho uma estrela nova. A lua nasce amarelinha, e vai esbranquecendo de acordo com sua subida. Tem um capim que não corta não e eu passo a mão por cima dele, como quem toca os cabelos de uma criança, e o capim estremece todo num arrepio.


Tenho uma casa bem pequenininha, lá na minha quinta em Babilônia. Vira e mexe Orfeu vem tocar pra mim enquanto danço com a fada dos ventos.
E quando vem a lua nova eu digo bem sibilado "Deus te salve Lua nova! Deus te dê boa virtude..."

Lá, amanhece, faz sol ou chuva, anoitece e venta muito, mas quando eu quero. E quando os raios caem, nenhum se esconde de mim.


Tenho uma quinta na Babilônia... eu só precisava saber chegar lá...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Das memórias felizes II.

Uma vez havia um e-mail não lido na caixa de entrada.
Nunca me esquecerei do que estava escrito, nem do momento em que li, nem de nada...

"Tentei te ligar, mas seu celular não estava funcionando...

Vai, amor, vai ver como o mundo é lindo!!! E como as pessoas são muito mais lindas do que elas parecem!!!"



e parece que ficou faltando um pedaço...

Das memórias felizes.

"Certa vez Caeiro mestre me viu abrir um chiclete e me disse:
-Ou, Pavani, me dá um aí!
Respondi:
-Não!
E ele, com aquele hábito de retrucar me disse:
- É seu último?
Eu disse:
- Não, tenho uns 15!!!!
E a gente riu até o ar nos faltar nos pulmões"


terça-feira, 21 de junho de 2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Da dependência.

A liberdade é algo tão cruel, mas tão cruel que não suporta a ausência de nada.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Da ilusão.

Aí você é linda. Na flor da idade. Dentes reluzentes e olhos curiosos. As pernas suportam o salto nos sambas e nos velórios. Você é linda e sabe o que quer. É linda e sabe que eles te querem. Os cabelos estão bem tratados, a boca firme, o lápis contorna os olhinhos infantis.
Tem dentro do peito o suporte para o seu homem e no colo carregaria suas mágoas e as dele juntas. Porque aos olhos de outrem ele é um leão viril e a você ele ronrona gostoso que te beija e você gosta.
Ele te liga. É meio sério. Sabe jogar. Diz o que você quer escutar. E quando sobra créditos no celular e álcool no sangue também diz às outras o que elas querem ouvir.
            Você já desconfiou disso, mas como não há provas, ficou de lado. É ciúme besta e desbaratado, ciúme juvenil que você precisa se livrar. Ele não merece suas injúrias. Até o dia em que passa a não fazer o que você gosta e aí você percebe o troféu monumental que é.
Pode ser que você tenha até se casado com ele e todas as repressões podem ter-lhe parecido ser os desígnios do Senhor. Você ainda idealiza seu amor, ainda quer as carícias do seu menino vadio, ainda quer os lábios dele nas suas costas, mas passou. Era o tempo. Você nem percebeu, está um pouco menos linda, mas ainda a ponto de carregar toda a beleza do mundo em sua aflição. Você quer uma fuga, e foge!
Foge, mas ainda gosta do boçal que pede para que você tire o vermelho das suas unhas e dê espaço à rendinha que é mais comportada. Ainda gosta do rapaz que controla o cumprimento do seu cabelo, como quem lustra seu troféu inerte e devidamente posicionado na estante. Ainda gosta do rapaz que não vai com seu vestido novo e que nunca reparou no seu scarpin, e nem sequer sabe que você está de soutien novo.
Até o dia em que você se lembra daquele outro dia em que aconselhou fulana,enxugando suas lágrimas, a não ficar com beltrano porque ele era por demais sórtido à ela.